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Maquinação? Que conversa é essa?!

Maquinação é, de fato, um trocadilho que se associa à Fábrica Cultura Coletiva. Quer sugerir a AÇÃO que emerge deste espaço de produção de arte e cultura e relacionamento humano. No entanto, não se limita a isto. Há muita coisa, nas entrelinhas do termo, que adentra o terreno do simbólico.

Na mitologia grega, maquinação corresponde ao trabalho das Moiras, três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos. As Moiras eram mulheres lúgubres (tipo meio sinistras), responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Assim, maquinação significa tramar, tecer, entrelaçar, armar, urdir, intrigar, enredar, conspirar. 

Que fique claro que não estamos conspirando CONTRA ninguém, este não é o significado original do termo, o que queremos resgatar. Tampouco temos a ilusão de que, como as Moiras, temos o poder de determinar o destino de qualquer coisa. Acreditamos que o destino está intimamente ligado a outro conceito, o devir. Este, por sua vez, qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. Devir é o desejo de torna-se e traduz a eterna mudança que faz com que o ontem seja diferente do hoje. É a lei do mundo. Assim, maquinação remete ao fascínio das fiandeiras e penetra o domínio do ritmo e da continuidade, dos movimentos duais do ir e vir, do fazer e desfazer, do dia e da noite, na relação com a fiação do tempo ou do destino. 

O Maquinação não se resume a uma ação pontual da Fábrica Cultura Coletiva. Ele pretende abarcar toda e qualquer ação desta associação cultural que esteja em sintonia com os objetivos propostos no projeto.

O lançamento, a ação inicial do projeto, surge a partir de uma parceria com o coletivo Fósforo Cultural, no X Festival Vaca Amarela, que acontecerá entre os dias 09 e 11 de setembro no Centro Cultural Martim Cererê. Pretendemos que seja um festival de artes integradas, na falta de um termo melhor. 

Reuniremos um monte de coisas no espaço localizado sob a instalação “Céu de Guarda-Chuvas” - ideia propulsora do projeto. Até agora, oficinas, desconferências, projeções de videoarte, performances artísticas, feira de troca, programação literária, discotecagem e jams. E claro, o tradicional comércio que já rola em festivais da cena goianiense, mas com foco nos processos criativos, na reciclagem ou modo de fazer. 
Tudo isto será uma realização Fábrica Cultura Coletiva em parceria com diversos grupos, produtores culturais e artistas, inicialmente, de Goiânia.